domingo, 19 de setembro de 2010

Angustia

‘’Um grão, dois grãos, três grãos’’, era assim que contava. Blusa preta, calça preta saruel e uma sandália ensopada e coberta de areia fina e molhada próximo. Deitada estava portando seus olhos escuros, que escondiam o que doces olhos carregavam consigo. O mel do olhar atraiu o mais faminto urso. Este se escondeu atrás da castanheira, coberto por sua sombra centenária. Distraída estava observando pequena formiga a carregar outra. Inclinou a cabeça de um modo que não pudesse observar seu observador. Vibrou e sorriu de trás de tal angiosperma de avançadas idades o sujeito.

Não estava nem um pouco ensolarado, mas as acinzentadas nuvens agradavam ao estranho gosto. Deitou com a face para cima a fim de apreciar as melancólicas nuvens. O embalo da fria ventania em conjunto com o balançar dos galhos serviu como uma luva. Estava adormecida, mergulhada em devaneios. O desconhecido em passos largos e silenciosos ia se aproximando. Sentou em fofa camada há alguns metros dela. Sorriu e esperou que percebesse sua presença.

Amarga estava. Pior que o chocolate, pior que tudo. Cultivava lágrimas em sua face. De gotas, rio, de rio, cachoeira. Talvez uma grande hipérbole, talvez uma grande realidade. Ao acordar de repentino devaneio, sentiu o arder dos olhos. O gelado vento piorava e a realidade acinzentada ia embora. O azul do céu se misturou com a azulada camisa do ser a sua espera. Um susto era óbvio, de fato. Mais óbvio que tudo era a falta de reação na cena. Congelaram as palavras no ar, mas o cabelo recém-tingido em movimento ficou. Úmida novamente a face permaneceu. Gotas, rio, cachoeira, mar, oceano, tanto faz. Estava se afogando. Encontrou conforto em um abraço.

Tristeza em si foi mais atrativa. Faces conhecidas iam ao seu encontro demonstrando preocupação. Sensação diferente ao ver ali em meio a tanta agonia os sorrisos de quem queria seu bem. Vivia seu recente devaneio. Bom demais para ser verdade. Estava a olhar para a janela e a pensar:''será?''

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