Texto escrito dia primeiro de janeiro de 2012 e finalizado às três horas e vinte e cinco minutos da madrugada do mesmo dia.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Pé com tarja preta
Texto escrito dia primeiro de janeiro de 2012 e finalizado às três horas e vinte e cinco minutos da madrugada do mesmo dia.
sábado, 27 de agosto de 2011
No more pain
Algo voltava a brincar em minha mente. Risadas profanas conduziam a sujeita emocional para um profundo buraco. Em volta, comemoração. A carne foi jogada aos urubus. A dança debochada do caos invadia o recinto e confundia as informações dadas anteriormente por aquele olhar. Parada forçada na bifurcação. Tinha uma pedra no meio do meu caminho.
“Wish You The Worst” veio em minha mente e embalou a dança que me enlouquecia. A cena que as letras da música criavam era tão real que o susto aparentava ser inevitável. Mesmo assim, aquele sorriso tão familiar acabou servindo de lenha para uma fogueira de fumaça letal: a parte fantasiosa da mente. Tal sentimento era tão recente, tão fresco, mas acabou não fugindo do apertar acidental (ou seria proposital?) do botão “fantasiar momentos incríveis, mas aparentemente impossíveis de ocorrer”.
Ainda no clima decepção/dúvidas/fantasias, vagava sem rumo utilizando passos da dança grotesca (meu erro). O olhar de minha pessoa se chocou, em uma infeliz coincidência, com o de um ser que carregava grande porcentagem do ódio que existia em meu coração. Em segundos de olhares cruzados, senti a devolução do ódio que havia jogado no vento. A mente pesou, o coração ainda mais. O perfeccionismo saiu da escuridão, o pessimismo triplicou, a agonia alcançou uma grande dimensão.
Em meio ao caos provocado pelo retorno da porcentagem pesada do ódio, uma pergunta pairou no ar. Tal pergunta provocou um efeito espelho, em que eu parei, visualizei minhas imperfeições físicas e lamentei. “Por que logo ela?” Faço questão de jogar no ar e esperar uma resposta. Enquanto isso estarei defenestrando meus sentimentos. Chega.
domingo, 21 de agosto de 2011
Chá de Sumiço
domingo, 27 de março de 2011
Descrição, análise e contradição
Como já se dizia, uma imagem pode valer mais que mil palavras. Mas talvez duas palavras, uma em cima da outra, possam transmitir uma idéia resgatada de uma mentalidade que só podia ser observada em pessoas de certa época. A descoberta foi ao acaso, enquanto observava as novidades artísticas dos meus colegas de DeviantART, um site que sinceramente me proporcionou uma certa felicidade com a possibilidade de expor minhas fotografias. Eis que surge em fundo preto um jogo de palavras que deu um tanto quanto certo. Não várias palavras, mas somente duas. Não estavam unidas, mas uma em cima da outra.
O “você”, escrito em inglês, carregava importância na imagem que chegava aos meus olhos. As letras da palavra estavam em enorme tamanho e eram sustentadas por uma barra que firmava o pensamento do “eu” que se encontrava embaixo. Com braços de ferro, o “eu” sustentava toda aquela grandiosidade do “você” que, lá em cima, aparentava completa tranquilidade. Foi no momento de analisar a imagem que recordei das minhas aulas de Literatura do Ensino Médio. Lembrei do tão perverso Gregório de Matos que, ao falar sobre suas musas de pele branca como a neve, colocava-as em um pedestal. Lembrei de Marília, a musa de Dirceu, que estava em um pedestal do início ao fim da obra. Lembrei então que naquela época tudo era diferente e, mesmo que as mulheres fossem submissas a figura patriarcal, não queria dizer que os homens não seriam submissos a elas quando verdadeiramente apaixonados.
Reconheci no criador da tal arte um amor incontestável por uma menina que aparentemente era sua namorada, algo difícil de ver. Aquele menosprezar do “eu” para sempre focar em “você” parecia ao mesmo tempo tão arcaico, tão encantador, tão exagerado. E aquele exagero todo me fez recordar o exagero das pinturas barrocas. Tão teatrais, tão dramáticas. Artifícios para reconquistar fiéis levados pela Reforma Protestante. Mas quem disse que deram certo? Do mesmo modo, quem garante que colocar uma pessoa amada em um pedestal maior que você vai lhe trazer algo de bom?
Amor próprio. Duas palavras que separadas podem machucar, afastar, nocautear. Duas palavras que juntas podem fazer a diferença. Todos nós temos que ter amor próprio. Quem não tem amor próprio sofre ao amar incondicionalmente um ser que, mesmo em grande pedestal sustentado pela pessoa que ama, pode pular para provocar sua queda. Quem tem amor próprio tem o “eu” do tamanho do “você”. Quem tem amor próprio é forte. Forte para suportar a vida.
domingo, 6 de março de 2011
Questão de indecisão
A vida parecia sussurrar seus nomes por aí. Pelas esquinas, uma voz que ecoava até no pensamento. E a aquela já mente embalada com reflexões em torno de certo filme carregou o peso de reflexões passadas que resolveram voltar daquele passeio que parecia não ter fim. O tempo parecia depressa demais para ela. Nem ao menos seus sentimentos acompanharam mudanças. E estas, tão necessárias, se mostraram muito longe de sair do papel. Firmou os pés naquele All Star surrado de longas datas, respirou um pouco o ar da agitada cidade e foi rumo à praia.
Os barcos encalhados na praia estavam a compor a paisagem, mas a escuridão da fina areia da praia escondia a beleza. Com a brisa gelada, o zíper subiu. As meias, que podiam estar a proteger também, se abrigaram no par de tênis. O frio a aproximava do mar, que logo foi tocado pela ponta de seu pé pequeno e frágil. Abriu a lata de cerveja, sentou na pedra e começou a olhar para a imensa lua cheia e as estrelas. O céu estava em festa como o resto do país. Era Carnaval, mas naquela pequena cidade, todo dia parecia Quarta-Feira de Cinzas. As portas do imenso mercado já fechavam as portas quando a sujeita viajava pela mente e pelo espetáculo que a noite estava a lhe proporcionar. Por algum tempo, esqueceu do que gostaria de pensar e resolveu pensar na beleza das pequenas cenas, na lata de cerveja que já acabava sem suas mãos, no futuro que a aguardava. O último gole na cerveja, um coçar de olho, um barulho anormal para o silêncio da cidade que adormecia. Os passos lentos de um senhor que se aproximava colocaram seu coração a mil. Quis se esconder, mas já era tarde. O misterioso sujeito carregava um saco meio incompleto dos artefatos que buscava pelas ruas. Catou uma lata por perto e resolveu sentar ao seu lado.
- Por que teme minha pessoa se nada fiz a você?
Não tinha palavras, se sentia envergonhada por conta da situação. O maltrapilho senhor pediu a lata com um gesto e, observado a lata e a amassando, olhou para a ruiva jovem.
- O que traz você a essas bandas?
- Indecisão.
- Só isso?
Olhou assustada ao ouvir as tais palavras. O sofrimento era grande dentro dela, até demais.
- Como ousa?!
O velho riu com seus dentes tortos e amarelados. Colocou a lata no saco e fechou. Tirou do bolso o rádio desligado e apontou para ela.
- Sabe o que é isso? Não é um simples rádio. Foi a única coisa de valor material que sobrou na minha vida. Quando a solidão bate, ligo e ouço qualquer coisa. Dependendo da música, eu canto. Como já se dizia antigamente, quem canta seus males espanta. Posso ser um fracassado, mas pelo menos escolhi um meio de me tornar feliz. Independente do que seja essa indecisão na sua vida, não faça dela uma barreira, mas um leque de oportunidades. Busque a felicidade sempre! Não deixe de viver, arrisque pelo menos uma coisa que seja. Se for para ser será, senão, não era pra ser. Não era para eu ser rico, nem de classe média, mas cá estou a catar latinhas que pouco tem valor só para arranjar o que comer. E você a reclamar de um momento de indecisão. Ah, jovem é assim mesmo: já começa a desistir de cara. – Ele bateu nos ombros da jovem, segurou o saco de latinhas e deu um passo rumo a calçada. – Pense bem nos rumos, nos meios. Seja feliz sendo honesta sempre, mostrando seus sentimentos. Espero que tenha entendido esse velho.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Jogo da vida
Ela sempre quis dançar como a Beyoncé Knowles. Arriscava passos na frente do espelho enquanto se despia rumo ao banho. Chutava as peças de roupa no ar quando tocava “Just a Girl” na rádio famosa da cidade. Ligava o chuveiro e era Morcheeba cantando “Rome Wasn’t Built In A Day”. As melodias do chuveiro, de sua voz e do aparelho de som ligado no máximo envolviam sua mente e a levava a qualquer lugar longe dali. Era uma sensação de liberdade dos problemas do cotidiano. Àquelas horas em pé no ponto esperando o ônibus em que o calor torrava sua cabeça e piorava a enxaqueca iam ralo abaixo junto das papeladas para assinar que chegavam aos montes em sua mesa. A vida de secretária não era moleza.
Era uma especialista nata em música. Estava por dentro das novidades das rádios e da internet. Buscava novidades na rede, mas não deixava de lado suas raízes e seu amor pelo pop e por músicas calmas com letras profundas. Mas não era só a música que a agradava. A imensa prateleira com inúmeros sucessos pintavam a paisagem de seu quarto de trabalho e estudos. Desde o sucesso “Morte e Vida Severina” de João Cabral de Melo Neto, até o encantador “Don Juan” do famoso Lord Byron. Folheava os livros como se estivesse apreciando um belo filé mignon feito por sua avó, uma receita de família que ainda era mantido em segredo o modo de amaciar. A cada ida aos inúmeros shoppings, a parada na livraria era obrigatória. Os seus olhos enlouqueciam ao se depararem com novidades, sucessos, coisas desconhecidas e curiosas. Os antigos CDs, vendidos a preço de banana, enchiam o pequeno cesto. Era uma compra do mês, o suficiente para satisfazer por mais uns dias sua felicidade, seu apetite pelo saber, pela cultura.
Mas a alegria que parecia duradora porém era passageira. Deixava seu amor trancado junto dos mosquitos que entraram na casa na noite passada. Tinha de sustentar aquilo tudo abdicando do ócio prazeroso por um tédio profundo e mortal em um pequeno escritório da capital. Era uma rotina maldita que aguardava seu fim toda noite de sexta-feira. Ao se ver inserida em seu período favorito, não fazia como a maioria das pessoas. Substituía um chopp gelado por um chá de camomila e amigos por algum livro jogado em cima da mesa, ou simplesmente um DVD de algum cantor ou banda. E eis que um desses dias de puro ócio surge uma notícia. Aquela maravilhosa sensação parecia um doce e marcante perfume que invadia todos os cômodos com uma velocidade incrível. O chinelo foi jogado para o ar, junto das cartas. Era uma oportunidade única de se reinventar.
Era uma segunda-feira normal. O cabelo embaraçado e armado, o café da manhã sendo preparado em segundos, a corrida para achar as chaves do armário, a aflição para encontrar a roupa perfeita, a maquiagem suave, o óculos de armação negra na face. Estava pronta, apesar de sua inexperiência que a fazia tremer as mãos de nervoso. Mesmo assim, o mundo parecia conspirar ao seu favor. O ônibus chegando no horário certo, pessoas dando informações corretas sobre o local, a água de coco gelada e doce, tudo fez questão de acalmá-la. Uns passos depois, um enorme e indiscreto prédio em seu alcance. Respirou fundo. Segurou o caderno contra o peito. Atravessou a rua. No meio do trajeto, paralisou. Por um segundo pensou se aquele passo poderia levá-la a um degrau maior, a uma altura maior. Por outro segundo, pensou que estava insana, iludida por um sonho qualquer. Estava na frente do jornal que acompanhava todas as manhãs seu trajeto rumo a vida quadrada do escritório, com um caderno cheio de produções em mãos. Era certo se arriscar, ou era certo voltar tudo de novo?
Quando se deu conta, o sinal havia aberto. Os carros corriam em sua direção. Foi automática a sua decisão. Pisou firme e pensou em não se arrepender. Algumas horas depois, pisos apressados romperam o silêncio do imenso edifício. Uma gota de água pura e salgada caiu e foi logo esmagada por outro sapato veloz. Ela ajeitou os óculos no rosto e foi em direção à agitada avenida. Fez um sinal ao homem do outro lado da rua e ele veio apressado em seu carro. Aquela jovem de vida tediosa, por um momento, estampava na face um sorriso que não havia sido visto por ninguém, só pelos atendentes da livraria. Respirou o ar poluído e sorriu como nunca. Sentou no banco de trás e fechou a porta com a maior pressa do mundo. Tocou seus escritos e sorriu novamente. Tudo sobre seus amores e terrores estamparia uma parte do tão adorado jornal. Aquela sensação de felicidade seria compartilhada com os leitores ao longo dos finais de semana, como era de seu costume. O primeiro pagamento em mãos, o luxo de pegar um táxi. Quem diria que aquele segundo trabalho que traria prestígio futuramente foi graças a uma fuga do cotidiano? Quem diria que aquela carta foi graças a publicação de seus trabalhos, da divulgação, da persistência. No jogo da vida, basta jogar os dados. Torça para que a sorte também te acompanhe.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Mais um novo começo
Então assim chegava 2011: calmo como a brisa que sacudia os cabelos dos mais jovens no recinto, esperançoso como os que procuravam coisas boas, tempo de mudança para os que muito caíram no ano que se passava, vitorioso como as conquistas que estavam por vir. Era hora de crescer, de amadurecer, de inflar o ego, de ficar perto de quem te faz bem, de esquecer besteiras passageiras, de focar na carreira, de se divertir sem exageros, de conhecer gente nova, de tomar atitudes certas, de reconhecer o seu valor dentre os demais. Um ano novo sempre era sinônimo de colocar em prática nossos planos de se reinventar ou de simplesmente decolar.
sábado, 25 de dezembro de 2010
Tempo de mudar
Respirava fundo enquanto carregava uma pequena mala, que balançava como um pêndulo. Seria o relógio da vida, talvez? Movia em tal velocidade que, realmente, não duvidava. Aquele ano havia voado. Uma hora estava a comer romãs, esperançosa ao olhar os poucos fogos que a pequena cidade preparara. Outra, guardava rancor pelos que haviam a machucado pelo caminho. Chutando as pedrinhas que ficavam aleatoriamente pelo caminho, deixava de lado alguns problemas. Lembrara de alguns ao notar uma goma de mascar velha grudada em sua sola. E pelo jeito, aquilo parecia não sair de jeito nenhum . Buscava respostas para seu "lead", mas essas pareciam impossíveis de se achar.
Point cheio, rua lotada. Uns já cambaleavam alegres segurando a sua milésima garrafa de cerveja. Via aqueles rostos desconhecidos sorrindo, despreocupados. Sorriu. Era hora de abrir a boca, olhar nos olhos, sorrir mais, sair mais, lutar mais pelos seus sonhos. Era hora de mudar. Era a hora de me encontrar.
