quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Dilemas


Hoje pretendo varrer este espaço, passar um pano nos cantinhos. Retirar uns quadros, planejar outros. Tudo está muito abandonado, muito imundo. Certeza que a nostalgia vai se instalar em meio a essa arrumação. As imagens, as histórias por trás, tudo virá à tona. E aquele post que demorou três meses para sair? Trinta mil modificações. E aquele que demorou meia hora? O mais aleatório e assustador possível. Já vejo que algumas coisas terão de ser empacotadas e deixadas naquele cantinho que daqui a pouco estará recheado de poeira novamente. Sentimentos e histórias que perderam a validade deixarei ali mesmo no lixo. Antes de garimpar, a rotina das quartas grita em meus ouvidos.
E é sempre naquele trajeto até rápido sentada no desconfortável banco que vou refletindo o que daria para ser dito no tempo disponível. Um momento que virou hábito recente, mas que intrigava quando chegava o sujeito mal humorado e dizia não ter troco. Abanava com um papel na esperança de sossegar um pouco o calor que sentia. Sinal, descer, atravessar a rua, alguns passos, elevador, campainha. Depois dos procedimentos, era o momento de se desligar um pouco do que estava lá fora e deixar fluir tudo em mente. Um período de 50 minutos para relatar e refletir sobre tudo. Era mais um, mas dessa vez foi bastante diferente.
Foi estranho sair do consultório com certa tarefa pendente. É aquele choque de realidade que só enxergamos quando alguém nos sacode e avisa. Era para o meu bem, claro que era. Mesmo assim, a preocupação não era comigo, mas sim no que iria acontecer. A incerteza de tomar uma decisão drástica para evitar que a situação se agravasse perturbava a mente constantemente. Evitaria a fadiga ficando reclusa em meu lar ou até mesmo realizando coisas que não batem com a realidade de meus pensamentos. Afastaria-me das angústias que algumas pessoas tornaram a tona em minha vida. Tinha a faca e o queijo na mão, mas não sabia como cortar sem me ferir.
“Vamos tentar iniciar isso gradativamente”, explicava para minha mente. O primeiro passo foi fazer o que tinha de ser feito durante a tarde e passar um tempo com a criaturinha que mais quis ter na minha vida, que nunca me decepcionou. Há tempos não descansava a mente e compartilhava sorrisos daquele jeito. E por ali permaneci, até lembrar do que me aguardava no virtual. De quebra cheguei ao recinto atolada de recados, mas observando uma ceninha de garotinha mimada no meu caminho. E como era de costume, a sujeita chorou no ombro de alguém. E esse ombro foi logo no da pessoa mais sem caráter, que até alguns dias atrás estava a caçoar de sua cara. Foi um pretexto para a mesma tentar me atingir. Mas quem disse que uma criança que usava uma identidade falsa para se elevar perante os demais iria me atingir com fakes repletos de insultos? Seria eu a criatura sem nada o que fazer? Obviamente que não.
Em meus escritos, registros, sempre evitei tocar no assunto do jogo. Foi algo que guardei bastante até o boom, o inédito em minha vida. E aquele post olhei e fiquei a refletir sobre seu fim: ir a lixeira como outros ou ficar ali, registrado como algo agradável de se recordar? Era muito que se pensar no dia. Como disse anteriormente, inevitável era e foi também a nostalgia em meio a tanta informação. Tola fui no momento que deixei agravar. Era aquela coisa de criar uma cena em mente, mas fugir do script no momento. A mania de colocar algo em teoria e fazer totalmente o oposto em prática. Um lado de minha pessoa que gritava por mudanças, antes que inundasse em meio às angústias e lágrimas. Aquele lado que via detalhes, que deduzia seus motivos, mas que se desgastava ao pensar em se não fosse aquilo mesmo.
Indagações aos montes serviriam como o acender do fósforo. Bastava saber o quão longo era o pavil, objetivando o apagar da chama provocada com rapidez e sensatez. As lembranças se misturavam aos sonhos, revelando o óbvio do que era desejado. Debruçava-se na mente e questionava se seria por mais uma noite isso. Disfarçava com bom humor perto dos demais, mas não era o suficiente para esconder sua preocupação. Afinal, o que fazer para dar um ponto final, definir finalmente isso tudo?

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