Hoje
pretendo varrer este espaço, passar um pano nos cantinhos. Retirar uns quadros,
planejar outros. Tudo está muito abandonado, muito imundo. Certeza que a
nostalgia vai se instalar em meio a essa arrumação. As imagens, as histórias
por trás, tudo virá à tona. E aquele post
que demorou três meses para sair? Trinta mil modificações. E aquele que demorou
meia hora? O mais aleatório e assustador possível. Já vejo que algumas coisas
terão de ser empacotadas e deixadas naquele cantinho que daqui a pouco estará
recheado de poeira novamente. Sentimentos e histórias que perderam a validade
deixarei ali mesmo no lixo. Antes de garimpar, a rotina das quartas grita em
meus ouvidos.
E é
sempre naquele trajeto até rápido sentada no desconfortável banco que vou
refletindo o que daria para ser dito no tempo disponível. Um momento que virou
hábito recente, mas que intrigava quando chegava o sujeito mal humorado e dizia
não ter troco. Abanava com um papel na esperança de sossegar um pouco o calor
que sentia. Sinal, descer, atravessar a rua, alguns passos, elevador,
campainha. Depois dos procedimentos, era o momento de se desligar um pouco do
que estava lá fora e deixar fluir tudo em mente. Um período de 50 minutos para
relatar e refletir sobre tudo. Era mais um, mas dessa vez foi bastante
diferente.
Foi
estranho sair do consultório com certa tarefa pendente. É aquele choque de
realidade que só enxergamos quando alguém nos sacode e avisa. Era para o meu
bem, claro que era. Mesmo assim, a preocupação não era comigo, mas sim no que
iria acontecer. A incerteza de tomar uma decisão drástica para evitar que a
situação se agravasse perturbava a mente constantemente. Evitaria a fadiga ficando
reclusa em meu lar ou até mesmo realizando coisas que não batem com a realidade
de meus pensamentos. Afastaria-me das angústias que algumas pessoas tornaram a
tona em minha vida. Tinha a faca e o queijo na mão, mas não sabia como cortar
sem me ferir.
“Vamos
tentar iniciar isso gradativamente”, explicava para minha mente. O primeiro
passo foi fazer o que tinha de ser feito durante a tarde e passar um tempo com a
criaturinha que mais quis ter na minha vida, que nunca me decepcionou. Há
tempos não descansava a mente e compartilhava sorrisos daquele jeito. E por ali
permaneci, até lembrar do que me aguardava no virtual. De quebra cheguei ao
recinto atolada de recados, mas observando uma ceninha de garotinha mimada no
meu caminho. E como era de costume, a sujeita chorou no ombro de alguém. E esse
ombro foi logo no da pessoa mais sem caráter, que até alguns dias atrás estava
a caçoar de sua cara. Foi um pretexto para a mesma tentar me atingir. Mas quem
disse que uma criança que usava uma identidade falsa para se elevar perante os
demais iria me atingir com fakes
repletos de insultos? Seria eu a criatura sem nada o que fazer? Obviamente que
não.
Em
meus escritos, registros, sempre evitei tocar no assunto do jogo. Foi algo que
guardei bastante até o boom, o
inédito em minha vida. E aquele post olhei
e fiquei a refletir sobre seu fim: ir a lixeira como outros ou ficar ali,
registrado como algo agradável de se recordar? Era muito que se pensar no dia.
Como disse anteriormente, inevitável era e foi também a nostalgia em meio a
tanta informação. Tola fui no momento que deixei agravar. Era aquela coisa de
criar uma cena em mente, mas fugir do script
no momento. A mania de colocar algo em teoria e fazer totalmente o oposto em
prática. Um lado de minha pessoa que gritava por mudanças, antes que inundasse
em meio às angústias e lágrimas. Aquele lado que via detalhes, que deduzia seus
motivos, mas que se desgastava ao pensar em se não fosse aquilo mesmo.
Indagações
aos montes serviriam como o acender do fósforo. Bastava saber o quão longo era
o pavil, objetivando o apagar da chama provocada com rapidez e sensatez. As
lembranças se misturavam aos sonhos, revelando o óbvio do que era desejado.
Debruçava-se na mente e questionava se seria por mais uma noite isso. Disfarçava
com bom humor perto dos demais, mas não era o suficiente para esconder sua
preocupação. Afinal, o que fazer para dar um ponto final, definir finalmente
isso tudo?
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