sábado, 25 de dezembro de 2010

Tempo de mudar

As baratas moviam seus pares de patas rapidamente na calçada. Passos lentos e cansados quebravam o silêncio da madrugada. Os pés iam atritando com o asfalto, do mesmo modo que os pensamentos iam se atritando com o pessimismo e com os sonhos. Sua mente vagava como um mendigo bêbado que não mais sabia o que fazer da vida. Nem mesmo ela sabia, de fato.

Respirava fundo enquanto carregava uma pequena mala, que balançava como um pêndulo. Seria o relógio da vida, talvez? Movia em tal velocidade que, realmente, não duvidava. Aquele ano havia voado. Uma hora estava a comer romãs, esperançosa ao olhar os poucos fogos que a pequena cidade preparara. Outra, guardava rancor pelos que haviam a machucado pelo caminho. Chutando as pedrinhas que ficavam aleatoriamente pelo caminho, deixava de lado alguns problemas. Lembrara de alguns ao notar uma goma de mascar velha grudada em sua sola. E pelo jeito, aquilo parecia não sair de jeito nenhum . Buscava respostas para seu "lead", mas essas pareciam impossíveis de se achar.

Point cheio, rua lotada. Uns já cambaleavam alegres segurando a sua milésima garrafa de cerveja. Via aqueles rostos desconhecidos sorrindo, despreocupados. Sorriu. Era hora de abrir a boca, olhar nos olhos, sorrir mais, sair mais, lutar mais pelos seus sonhos. Era hora de mudar. Era a hora de me encontrar.

Um comentário:

  1. oi, estranha. há algum tempo, leio seus textos e realmente me identifico com eles. os passos rápidos das baratas nas ruas também me perturbam, se é que me permite continuar sua metáfora. as cervejas da vida foram frequentes, assim como os relogios... que beleza este ciclo da vida! sinto que somos muito parecidas, eu e voce! entendo seus textos como se lhe conhecesse há muitos anos, desde que outros relogios soavam, em outros mundos, outras vidas. continuarei a ler seu blog, já que somos duas estranhas no mesmo mundo bizarro. a paz de jah.

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